Bate-boca continua na Alepe e deputado evangélico ameaça levar colega ao Conselho de Ética

1397 visualizações Comments
Ad-ES

O deputado Adalto Santos (PSB), um dos oito representantes da bancada evangélica da Assembleia Legislativa, ameaçou elaborar uma representação para encaminhar o também deputado Edílson Silva (PSol) ao Conselho de Ética da Casa. O entrevero aconteceu nesta quarta-feira (10), após mais um dia de debates acalorados sobre as imagens da Parada LGBT de São Paulo, ocorrida no domingo. Nas fotos, participantes aparecem se beijando, fantasiados de Jesus no momento da crucificação. O socialista alegou que Edílson teria desrespeitado a bancada e mentido sobre as declarações que deu no plenário na última segunda-feira.

A confusão teve início quando o pastor Cleiton Collins (PP) falava sobre a decisão dos evangélicos de acionar o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça para identificar e punir criminalmente os ativistas. Em aparte, Edílson elogiou a atitude, pois em seu entendimento, estavam levando a questão à esfera certa. “Vim aqui elogiar a bancada, pois acho que usar o código penal em detrimento do Levíticos (livro bíblico) como vinha acontecendo é um avanço, diferentemente do que houve aqui nesta semana. Mas parece que não há, por parte de alguns, a intenção de causar o encontro”, argumentou.

Em sua fala, o presbítero Adalto voltou a mostrar irritação com o fato e afirmou que não havia proferido a frase estampada na capa do Diario da última terça-feira, onde afirmava que se fosse muçulmano, pegaria uma espingarda e resolveria o problema. “O senhor faltou com respeito à bancada evangélica. Disse que essa casa não pode ser regida pela bíblia e sim pela constituição. O senhor esquece que o estado é laico, mas o princípio é cristão. Eu vou solicitar o encaminhamento de vossa excelência ao conselho de ética dessa casa. Vossa excelência está dizendo coisa aqui que eu não disse”, disparou

Após o fim da sessão, o líder do governo na Assembleia, deputado Waldemar Borges (PSB) tentou colocar panos quentes na situação e disse que conversaria com o correligionário para demovê-lo da ideia. Já Adalto, mais calmo, afirmou que conversaria pessoalmente com o representante do PSol “Se ele botar uma pedra sobre o assunto eu também paro. O que eu não posso aceitar é que ele venha aqui e cite meu nome três vezes, dizendo que eu ia pegar em arma. É uma inverdade. Se eu tivesse dito, eu subiria ali e falaria, ‘me perdoem, eu errei’. Eu disse: ‘Se eu fosse’. Como não sou, sou um cristão, vou resolver com a palavra. Aí ele fica distorcendo a situação, aproveitando um gancho que a imprensa usou, uma frase. Acho que não é o caminho”, salientou.

DP | Thiago Neuenschwander