Filho de pastor, ala do Chelsea teve pais mortos por perseguição religiosa

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Moses

Victor Moses tinha apenas 11 anos quando descobriu o tamanho da crueldade que existe por trás da intolerância religiosa.

O hoje titular da ala direita do Chelsea, líder do Campeonato Inglês e favorito à conquista da Premier League, jogava bola pelas ruas de Kaduna, cidade de 750 mil habitantes no coração da Nigéria, enquanto o ódio entre praticantes de diferentes religiões destruía parte importante da sua vida.

Exausto depois de tentas peladas, o garoto foi avisado por um tio que seus pais, Austin e Josephine, estavam mortos.

Em um momento em que as tensões entre muçulmanos e cristãos pegavam fogo naquela região da Nigéria, os pais de Moses foram assassinados por grupos terroristas islâmicos porque eram missionários que pregavam o nome de Jesus e tinham sua própria igreja.

O próximo alvo era o pequeno Victor. E foi por isso que alguns amigos o esconderam por uma semana até que conseguiram enviá-lo sozinho para a Inglaterra.

“Estejam onde estiverem, espero que eles estejam orgulhosos de mim, que eles olhem aqui para baixo e se encham de orgulho. Foi uma viagem longa [da Nigéria até a nova casa] e tive de me manter forte e trabalhar duro para chegar até aqui””, afirmou ao “Guardian”, em 2012.

Asilado político pelo Reino Unido, Moses foi adotado por uma nova família na Europa e encontrou tranquilidade para cumprir seu destino de jogar futebol profissionalmente.

Pouco depois da chegada à Inglaterra, já passou a treinar nas categorias de base do Crystal Palace, onde era reconhecido como fenômeno. Aos 15, estreou nas seleções inferiores da Inglaterra. No Mundial sub-17 de 2007, era a grande estrela do English Team.

Até 2012, quando trocou o Crystal Palace pelo Chelsea e decidiu reassumir a cidadania nigeriana, estreando pela seleção africana, tudo levava a crer que Moses se converteria em um nome do primeiro escalão do futebol mundial.

Mas o então atacante não brilhou em Stamford Bridge. Também não fez nada de especial nos empréstimos para Liverpool, Stoke City e West Ham. Sua carreira parecia que iria cair na banalidade até que ele encontrou Antonio Conte, no início desta temporada.

O novo treinador do Chelsea impediu que ele fosse emprestado novamente e decidiu testá-lo como ala direito no esquema 3-4-3 que pretendia implantar. O improviso deu tão certo que Moses assumiu a titularidade no início de outubro e não soltou mais.

O nigeriano não é craque, mas se tornou um dos jogadores mais regulares da equipe de Conte e já soma quatro gols e quatro assistências nesta temporada, mais do que no ano passado, quando ainda era atacante.

E, agora, na briga para conquistar o primeiro título inglês de sua carreira, Moses pode ter certeza: seus pais estão muito orgulhosos dele. Estejam onde estiverem.

Blog do Rafael Reis